sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Classificação funcional para provas de atletismo: campo e pista.

Consiste em uma categorização recebida pelos atletas em função da capacidade de realizar movimentos, evidenciando as potencialidades dos resíduos musculares, de seqüelas de algum tipo de deficiência, bem como os músculos que não foram lesados. Essa avaliação é feita através de teste de força muscular, teste de coordenação (realizado geralmente para atletas com paralisia cerebral e desordens neuromotoras) e teste funcional (demonstração técnica do esporte realizado pelo atleta). Os classificadores analisam o desempenho do atleta considerando os resultados obtidos nos testes.

Para provas de campo (arremesso, lançamentos e saltos)F – Field (campo)
- F11 a F13 – deficientes visuais
- F20 – deficientes mentais
- F31 a F38 – paralisados cerebrais (31 a 34 -cadeirantes e 35 a 38 - ambulantes)
- F40 - anões
- F41 a F46 – amputados e Les autres
- F51 a F58 – Competem em cadeiras (seqüelas de Polimielite, lesões medulares e amputações)

Para provas de pista (corridas de velocidade e fundo)T – track (pista)
- T11 a T13 – deficientes visuais
- T20 – deficientes mentais
- T31 a T38 – paralisados cerebrais (31 a 34 -cadeirantes e 35 a 38 - ambulantes)
- T41 a T46 – amputados e les autres
- T51 a T54 – Competem em cadeiras (seqüelas de Polimielite, lesões medulares e amputações)



OBS: A classificação é a mesma para ambos os sexos. Entretanto, os pesos dos implementos utilizados no arremesso de peso e nos lançamentos de dardo e disco variam de acordo com a classe de cada atleta.

A entidade potiguar foi campeã por equipes na 2ª etapa em Porto Alegre (RS) com 14 participantes na natação, 11 no halterofilismo e três no atletismo.

Entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro últimos, a Sociedade Amigos do Deficiente Físico (Petrobras/SELL/Prefeitura do Natal/Caern/CDF/ERK/Sesi/Uniodonto/UNP) conquistou 43 medalhas na 2ª etapa nacional do Circuito Loterias Caixa Brasil Paraolímpico de Atletismo, Halterofilismo e Natação, em Porto Alegre. Competindo com 54 outros clubes, num total de 600 atletas, a Sadef se sagrou mais uma vez campeã nacional de natação e halterofilismo, garantindo a hegemonia da associação.
É um momento impar e de muita alegria, as lágrimas da diretoria são o resultado de muito trabalho e muita dedicação. O resultado apresentado em todas as modalidades executado pela Sadef nos deixa muito felizes, pois é por isso que mantemos a hegemonia do esporte paraolímpico no Brasil", disse o presidente da associação, Eduardo Gomes.
Além das 11 medalhas conquistadas no halterofilismo, a Sadef teve outra vitória na categoria através da convocação de João Euzébio e Terezinha Multado, que participarão dos Jogos Mundiais, em Bangalori/Índia, entre os dias 22/11 e 2/12. A natação trouxe outras 30 medalhas, enquanto o atletismo garantiu duas.
A delegação de 30 atletas, 14 da natação, 11 do halterofilismo e três do atletismo, além dos técnicos Carlos Williams e Carlos Paixão, de halterofilismo e natação, respectivamente, só conseguiu participar da competição graças ao apoio governamental e privado, que permitiu à Sadef enviar seus atletas para a competição.

Secretaria de Esporte realiza debate sobre Paradesporto

Obs.: Esta reportagem foi publicada em 8 de setembro de 2009.

As limitações e dificuldades enfrentadas pelos atletas paraolímpicos no Brasil serão tema de palestra, promovida pela Secretaria de Esporte e Lazer de Fortaleza (Secel), em parceria com a Caixa Econômica Federal e a Universidade Federal do Ceará. O debate irá contar com a participação de quatro atletas paraolímpicos

André Luiz Garcia Andrade será um dos debatedoresNesta quarta-feira (09 de setembro), a partir de 14h, no auditório Walter Cantídio Pamplona, no Campus do Pici, quatro atletas paraolímpicos de renome nacional irão falar sobre suas histórias de vida e fomentar o debate sobre os desafios para o desenvolvimento do Paradesporto no Brasil.O tema da palestra será “Paraolímpicos: superando desafios, realizando sonhos”, e irá contar com as presenças do nadador Ivanildo Alves, medalhista de prata nos 100m, nos Jogos Paraolímpicos de Atenas (2004); e dos corredores Odair Ferreira, André Luiz Garcia e Antônio Delfino de Souza. Este último conquistou medalha de ouro nos 200 e 400m rasos, nas Paraolímpiadas de Atenas.Na opinião do titular da Secel, Evaldo Lima, a palestra tem o objetivo de ampliar o espaço de debate sobre o desporto em Fortaleza. “Esperamos que os exemplos de grandes atletas paraolímpicos sirvam como inspiração para que cada vez mais pessoas tenham acesso ao Paradesporto. Trata-se de um esforço conjunto que deve reunir não apenas os segmentos ligados às pessoas com deficiência, mas também as demais entidades da sociedade civil e os profissionais de Educação Física, que devem se qualificar para trabalhar o Paradesporto em uma perspectiva inclusiva”, defende o secretário.





Fonte: http://www.vermelho.org.br/ce/noticia.php?id_noticia=115229&id_secao=61

Atletismo-paradesporto

O atletismo é uma das modalidades de ponta do esporte praticado pelas pessoas portadoras de deficiência. É um dos que reúne mais participantes em suas diferentes provas.
As provas são agrupadas nos blocos tradicionais de corridas, saltos, lançamentos, pentatlon e maratona.
No programa das competições estão excluídas as provas de corrida com obstáculo, salto com vara, marcha atlética e lançamento de martelo, sendo acrescentada uma prova de club (massa de GRD), praticado pelos portadores de paralisia cerebral (PC).
Essas modalidades são praticadas por atletas cegos, amputados, paraplégicos, tetraplégicos, e paralisados cerebrais, mas, nem todos competem em todas as modalidades.
Nas provas de pista, os deficientes visuais totais B1, e os deficientes visuais B2, podem correr com guia ou com treinador que, claramente identificado, dirigi-se ao atleta com voz ou através de palmas. Neste caso solicita-se silencio aos expectadores afim de não prejudicar a orientação do atleta. Para os atletas com deficiência visual leve B3, os mesmos competem sobre as regras da IAF - International Athletic Federation, sem nenhuma alteração.

domingo, 22 de agosto de 2010

Entrevista: Educação Inclusiva

Para esclarecer as dúvidas sobre o processo de inclusão de alunos com necessidades especiais, o Conexão Professor entrevistou a professora e psicopedagoga Roseni Silvado Cardoso, coordenadora de Educação Especial da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. Ela é responsável pela implementação na escolas da rede da política de Educação Especial na perspectiva da Educação Inclusiva.
Conexão Professor (CP) - O que é necessário para incluir um aluno com deficiência na escola? Roseni Cardoso - Termos professores com formação profissional que atendam às necessidades educacionais especiais dos alunos com deficiência e escolas adaptadas nos aspectos arquitetônicos e pedagógicos, centrados nas necessidades de aprendizagem desses alunos.
CP - Quais são os cuidados e as orientações vitais para iniciar esse processo?
Roseni Cardoso - Em primeiro lugar, são necessários orientação e apoio à inclusão, por intermédio de um programa de sustentabilidade de alunos com deficiência, no qual são propostos objetivos e metas a serem alcançados a curto, médio e longo prazo. A participação dos diversos segmentos sociais envolvidos na educação, como professores, gestores, supervisores, coordenadores, orientadores, alunos e familiares é fundamental neste processo. Nesse programa devem estar presentes todos os aspectos referentes à inclusão escolar, como acessibilidade física, curricular e pedagógica por meio de material adaptado às diversas necessidades de aprendizagem dos alunos. Este material pode ser oferecido pelos professores das classes comuns e também por intermédio do Atendimento Educacional Especializado nas Salas de Recursos Multifuncionais para a garantia do acesso, permanência e êxito dos alunos com deficiência nas salas comuns e em seu aprendizado escolar.
CP - Quais são as deficiências mais fáceis para serem contornadas? E as mais difíceis?
Roseni Cardoso - O que é mais fácil ou mais difícil de ser contornado não se refere às deficiências dos alunos, mas sim ao que falta às escolas para atender adequadamente às necessidades desses alunos. Assim, não é possível afirmar sem cometermos equívocos o que é mais fácil ou difícil de se realizar nesse momento. Mas, é possível dizer que as escolas públicas estão enfrentando desafios pedagógicos significativos quanto à inclusão de alunos com deficiência mental (em seus diversos níveis), que requerem adequações e adaptações curriculares à sua condição de aprendizagem e a valorização das dimensões humanas e sociais em detrimento das competências cognitivas.
CP - Como superar os possíveis preconceitos? Roseni Cardoso - A superação do preconceito manifestado contra alunos com deficiência será possível exclusivamente pela experiência entre alunos com e sem deficiência estudando juntos na mesma sala de aula. A inclusão permite que os alunos sem deficiência conheçam colegas que são diferentes deles e os alunos com deficiência descubram que ser diferente não significa ser desigual ou incapaz. Todos se beneficiam da inclusão. A inclusão, com todas as suas contradições, é fundamental no entendimento e superação do preconceito contra pessoas com deficiência.
CP - Como trabalhar com os alunos não-deficientes para que eles aceitem os deficientes?
Roseni Cardoso - Por intermédio da experiência espontânea, ou seja, o professor, ao tomar conhecimento que receberá alunos com deficiência em sua turma, conversará com seus alunos sem deficiência sobre diferenças humanas, físicas, cognitivas, sensoriais, entre outras. Pode exibir, com dinâmica de grupo, um filme, um desenho animado sobre deficiência, um documentário, ler um livro (dependendo da faixa etária de seus alunos). Na conversa informal após a exibição do recurso pedagógico escolhido, o professor identificará os principais estereótipos presentes na formação de seus alunos por suas falas, respostas. O professor sendo sensível à inclusão e esclarecido com conhecimentos elaborados em seu processo de formação (inicial e continuada) identificará esses estereótipos, contribuindo assim para que seus alunos percebam seus equívocos quanto aos colegas com deficiência e os recebam, como certa vez ouvi de crianças sem deficiência em processo de acolhimento de colegas com deficiência, "de braços abertos". Sobretudo, é isso que devemos trabalhar na aceitação dos alunos/pessoas com deficiência, ou seja, a possibilidade de todos 'abrirem os braços'.Para concluir, pensamos ser a escola um espaço privilegiado, um terreno fértil para introduzir e fortalecer a ideia da inclusão dos alunos com deficiência, de maneira a estender às famílias e aos outros grupos sociais, essa nova concepção e esse novo paradigma. Temos clareza de que são muitas as barreiras e os desafios que ainda precisamos enfrentar e superar, mas também temos a certeza de que a inclusão escolar/educacional é um processo positivamente irreversível.
Carolina Nunes

Esportes adaptados na escola

O Colégio Estadual Professor Murilo Braga, de São João de Meriti, não tem alunos incluídos atualmente, mas em seu histórico há um projeto de conscientização, liderado pelo professor de educação física Sérgio Henrique.Durante dois bimestres do ano passado, Sérgio deu suas aulas utilizando esportes adaptados: o basquete, o vôlei e o tênis de mesa foram praticados pelos alunos com cadeiras de rodas, e no atletismo e no futebol eles ficavam com os olhos vendados. “Resolvi trazer para a escola algo diferente. No começo houve certa rejeição, mas depois de levar alguns filmes para eles assistirem e de conversar um pouco sobre o assunto, todos participaram, foi emocionante. Queria sensibilizá-los e tornar a escola um pouco mais inclusiva. A turma chegou à conclusão de que você só pensa na deficiência se você efetivamente passa por isso ou se tem alguém próximo de você com esse problema.

Quando você dá responsabilidade aos alunos, o limite surge naturalmente”, afirma Sérgio.Segundo a diretora Maria Angélica Novaes, o projeto rendeu frutos. “Ao percebermos as limitações do outro, somos muito mais solidários. A escola cresceu com esta iniciativa, mas sem dúvida ainda temos que avançar muito nesse quesito. Foi apenas o começo”.



Carolina Nunes

Inclusão que dá certo

Em 2002, no ano de sua fundação, o Colégio Estadual Stella Matutina recebeu pela primeira vez um aluno com necessidades educacionais. À época, a escola não tinha intérpretes de Libras (Língua Brasileira de Sinais) que pudesse auxiliar o aluno com deficiência auditiva. A ajuda veio por um outro aluno, que conhecia a língua. Mas, infelizmente, não houve tempo hábil para repor o conteúdo perdido. Era chegado o fim do ano.O que fazer para que esse aluno pudesse participar das aulas e aprender como os outros? E se surgissem outras crianças com as mesmas dificuldades deste estudante? “Percebemos a necessidade de buscar intérpretes de Libras porque precisávamos dar um atendimento especializado. Entre receber um aluno e realmente incluí-lo na escola, há uma grande diferença”, afirma Rosa.A diretora então elaborou um projeto e já no primeiro ano de educação inclusiva havia dois intérpretes e dez alunos com deficiência auditiva na escola. E com o tempo veio também a capacitação dos professores, que sentiam a necessidade de se comunicar diretamente com os estudantes. “Foi interesse dos próprios docentes. Hoje em dia, eles dominam a Libras e também atentam para algumas questões que antes nem pensavam como, por exemplo, o fato de não virar de costas para os alunos e pronunciar bem as palavras. Essa sensibilidade que não tínhamos passamos a ter”, explica Rosa, lembrando que o trabalho não é fácil mas, com certeza, gratificante. “É uma responsabilidade muito grande e algo indispensável na minha vida. Se olharmos com atenção para o universo de pessoas com alguma necessidade especial, perceberemos a quantidade de pessoas boas que existem”.A professora de matemática do colégio, Maria Lucinda Santos Chaves, foi uma das primeiras a aprender a linguagem de sinais e hoje em dia, com 30 estudantes surdos, não vê mais diferença entre os alunos. “Não há segregação entre ouvintes e surdos, eles são amigos. Trabalhar com eles fez com que eu rompesse barreiras, quebrasse paradigmas. Sem dúvida, ampliei meus horizontes”, comenta Lucinda.Aos sábados, a escola ainda oferece uma oficina gratuita de Libras para a comunidade. Uma percepção comum às instituições que trabalham com pessoas com necessidades educacionais especiais é a de que elas são alegres, participativas e também muito capazes. No Colégio Estadual Brigadeiro Schorcht, de Taquara, em Jacarepaguá, a realidade não é diferente. De acordo com a diretora Neide Aparecida de Sousa, que há 12 anos recebe alunos com necessidades especiais, dois estudantes com paralisia cerebral são os que mais se destacam nas aulas.“É gratificante demais, sinto um prazer enorme ao ver um sorriso no rosto desses meninos. Nós sabemos que eles são felizes aqui, pois fazemos um trabalho de excelência, com muito carinho”, diz, com a convicção de que ama o que faz. “Se eu tivesse que sair daqui para ir para outra escola, seria para transformar esse lugar em referência de inclusão. As pessoas vêm naturalmente pra cá porque sabem que nós fazemos um trabalho diferenciado. Sempre estivemos de portas abertas para os alunos com necessidades educacionais especiais”, destaca Neide.Hoje em dia, o C.E. Brigadeiro Schorcht conta com 28 alunos incluídos. De acordo com a diretora, as capacitações de professores são realizadas constantemente. “Temos que ensinar o professor que chega a trabalhar com esses jovens”, diz Neide.


Fonte:http://www.conexaoprofessor.rj.gov.br/especial.asp?EditeCodigoDaPagina=5045

Carolina Nunes